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Janeiro: Um mês de novas chances

Todo mês, neste espaço, convido você a refletir comigo sobre grandes acontecimentos da mídia e da cultura visual que moldam o nosso tempo. Escrevendo diretamente de Los Angeles, o coração da indústria do entretenimento, eu procuro capturar histórias midiáticas que ecoem emoções coletivas, questionamentos e, claro, inspirações. Porque, assim como na vida, a mídia e a cultura têm uma maneira peculiar de nos lembrar que sempre há espaço para novas chances. JANEIRO é um mês tradicionalmente associado a recomeços e resoluções, e o começo de 2025 foi certamente marcado por eventos na mídia e cultura que refletem as fragilidades de começar de novo. Afinal, quem é que não gosta de uma nova chance? Do cinema brasileiro à televisão americana, janeiro de 2025 trouxe recomeços midiáticos que inspiram reflexão.


O ano se iniciou com um clima de vitória nacional. Fernanda Torres trouxe orgulho ao Brasil ao vencer o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama por sua atuação em AINDA ESTOU AQUI (2024), dirigido por Walter Salles. O filme fez história ao receber três indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres. Esta é a primeira vez que uma produção brasileira é indicada na categoria principal do Oscar. Após as indicações, o filme voltou ao topo das bilheterias brasileiras, arrecadando mais de R$ 5 milhões no fim do mês. Desde sua estreia em novembro de 2024, AINDA ESTOU AQUI tem sido aclamado pela crítica e pelo público, destacando-se como um marco no cinema nacional. Durante seu discurso no Globo de Ouro, Fernanda Torres dedicou o prêmio à sua mãe, Fernanda Montenegro: “Vocês não têm ideia. Ela esteve aqui há 25 anos. E isso é uma prova de que a arte pode resistir pela vida. Até durante momentos difíceis, pelos quais a incrível Eunice Paiva, que eu interpretei, passou. E a mesma coisa que está acontecendo no mundo hoje. Tanto medo. Esse é um filme que nos ajuda a pensar em como sobreviver em tempos difíceis como este.” O filme aborda a história de Eunice Paiva, uma mãe em busca de seu marido desaparecido durante a ditadura militar no Brasil, refletindo temas de resistência e esperança que ressoam profundamente no contexto atual. Essa trajetória de conquistas para o cinema brasileiro não é apenas um marco para a indústria, mas também um lembrete poderoso de que, mesmo em tempos de incerteza, a arte pode ser uma força transformadora. Ela nos convida a refletir sobre como o passado, com todas as suas lutas, pode ser ressignificado em novos começos. AINDA ESTOU AQUI não é apenas uma celebração do que já foi conquistado, mas uma prova de que, ao abraçar nossas histórias, podemos traçar caminhos para um futuro mais resiliente e esperançoso; um futuro de novas chances. Mas em meio a celebrações do cinema internacional, “Hollywood” também enfrentava um desastre natural sem precedente.


Desde a primeira semana de 2025, Los Angeles, na Califórnia, enfrenta incêndios florestais devastadores, causando prejuízos estimados em 350 milhões de dólares às infraestruturas públicas, segundo o LA Times. Em meio a essa tragédia, emergiram histórias de solidariedade e resiliência, destacando-se a de Spencer Pratt e Heidi Montag, conhecidos por sua participação no influente reality show americano THE HILLS (2006-2010). O programa dos anos 2000s foi um marco na história da televisão, moldando o formato dos reality shows modernos ao focar nas vidas pessoais e profissionais de jovens em Los Angeles. O programa da MTV introduziu uma narrativa híbrida, mesclando elementos de documentário e roteiro, o que influenciou produções subsequentes no gênero. Durante a exibição de THE HILLS, Spencer e Heidi, apelidados de “Speidi,” alcançaram grande notoriedade. Contudo, após o término do programa, enfrentaram dificuldades para manter a relevância na mídia. Recentemente, o casal perdeu sua residência nos incêndios florestais de Los Angeles, e em resposta, recorreu às redes sociais para reconstruir suas vidas e carreiras. Spencer revelou que, em uma semana, obteve cerca de US$ 4.000 com vídeos no TikTok e aproximadamente US$ 20.000 através de transmissões ao vivo, evidenciando o poder do apoio direto de seus seguidores. Ao mesmo tempo, Heidi experimentou um ressurgimento em sua carreira musical. Seu álbum de 2010, “Superficial,” relançado em janeiro de 2025 para comemorar seu 15º aniversário, alcançou o primeiro lugar no iTunes em vários países. Com sua música “I’ll Do It,” Heidi entrou pela primeira vez na Billboard Artist 100, uma lista semanal que mede os artistas mais populares nos Estados Unidos com base em vendas, execuções em rádio e engajamento nas redes sociais, marcando um momento significativo em sua trajetória. Esse ressurgimento digital é particularmente notável, considerando que, desde o auge em THE HILLS, o casal não havia alcançado tamanho destaque. A experiência de Spencer e Heidi ilustra como os algoritmos das plataformas digitais podem revitalizar carreiras e formar comunidades online, mesmo após anos de menor visibilidade. Essa narrativa evidencia o potencial da cultura digital em transformar vidas, oferecendo novas oportunidades em meio às adversidades.


Enquanto a trajetória de Spencer e Heidi demonstra como a cultura digital pode revitalizar carreiras, o reality brasileiro CORRIDA DAS BLOGUEIRAS (2018-presente) trouxe à tona reflexões sobre a efemeridade das carreiras digitais. Criado pelo canal Diva Depressão, o programa, transmitido pela Dia TV, já se consolidou como um fenômeno cultural e digital. Em janeiro, uma pesquisa conduzida pela Wake Creators revelou que o reality é o 5º mais popular do Brasil, sendo o único feito por criadores de conteúdo, o que reforça seu impacto único. A 6ª temporada, intitulada Uma Nova Chance, foi uma homenagem aos anos anteriores do programa. Trouxe de volta provas icônicas e participantes de edições anteriores em busca de uma segunda oportunidade. Muitos criadores compartilharam suas dificuldades com a desestabilidade financeira do ramo, até expondo a falta de apoio publicitário para criadores da comunidade LGBTQIA+, evidenciando a volatilidade dessa carreira. Grandes nomes da internet, como Blogueirinha, Grag Queen, e Adam Mitch, marcaram presença, adicionando carisma e dinamismo à competição. Blogueirinha, em especial, se destaca por seu humor ácido e crítico, que se tornou um marco da cultura digital no Brasil, no último ano. A grande final foi um marco: assistida por mais de 140 mil pessoas ao vivo, teve 2,2 milhões de votos para decidir a campeã, Palloma Tamirys. Gravada ao vivo com uma plateia de 4 mil pessoas, a final contou com apresentações musicais de Karol Conká e Lia Clark. No X, o programa alcançou o primeiro lugar nos trending topics, consolidando-se como um verdadeiro fenômeno digital e cultural.


Na televisão, o BEAST GAMES emergiu como um dos programas mais comentados de janeiro de 2025. Criado pelo influenciador americano MrBeast (Jimmy Donaldson), o reality show é transmitido pela Amazon Prime Video e apresenta 1.000 participantes competindo por um prêmio de 5 milhões de dólares, batendo o recorde de maior prêmio na história da televisão. Inspirado na série coreana SQUID GAME (Netflix, 2021-presente), o programa envolve desafios extremos que testam os limites físicos e mentais dos competidores. MrBeast é um dos maiores criadores de conteúdo do mundo; e com mais de 150 milhões de inscritos em seu canal principal no YouTube, seu público brasileiro está entre os mais engajados. BEAST GAMES mistura desafios extremos com prêmios milionários, criando momentos de alta tensão e emoção. Entre os destaques da série, estão episódios que abordaram temas como lealdade, coragem, e até mesmo situações controversas envolvendo religião e racismo. O programa prova que o entretenimento da televisão moderna pode ser inovador e envolvente, e refletir dinâmicas sociais. A competição oferece uma nova chance aos competidores que compartilham seus motivos financeiros e emocionais para estar ali. Com um prêmio final capaz de mudar vidas, os desafios testam os limites da humanidade dentro do capitalismo. Até onde você iria por uma nova chance?


Um mês marcado por temas de recomeço e renascimento, janeiro nos lembra da importância de abraçar novas oportunidades e se arriscar por novos sonhos e objetivos. Relações internacionais e conflitos ideológicos continuam espalhando medo e incerteza em nosso mundo atual; mas a arte, presente na mídia que consumimos todos os dias, nos oferece momentos de alívio, com recados de esperança nas entrelinhas. Nunca é tarde demais para sonhar; nunca é tarde demais para tentar de novo. Que “novas chances” não sejam apenas palavras, mas uma prática constante. Já cantava Chico Buarque, “Amanhã vai ser outro dia...”






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